Adriano Geraldes | Projeto do basquete brasileiro, Treino de calça jeans e MUITOS agradecimentos – Parte 2/2

Fala, pessoal!

Seguindo com a segunda e última parte da conversa com Adriano, chegamos na parte da organização do basquete de base. Esse é um papo que poderia render horas e horas, muito mais do que conversamos. Mas iniciei com uma pergunta ampla, que seria o papel da federação e confederação no basquete.

Reger o basquete, gerenciar o basquete, a modalidade. Essa é a principal missão de uma instituição desse porte. Fomentar a modalidade mas a gente não tem esse perfil. Eu tenho visto que a Federação do Paraná está fazendo um pouco disso, em Santa Catarina estavam pensando no macro, sabe, desde os clubes até a questão das seleções. Então eu vejo assim, hoje a gente está numa situação meio de status quo, está tudo muito parado, não se vê fazendo nada diferente. É aquilo que a gente falou lá no começo, a desculpa é sempre que não tem dinheiro, mas a questão não é só dinheiro, é a organização. Você organizar os recursos que você tem, isso é gestão. Isso é você gerir uma modalidade. “Não tem dinheiro, eu preciso fazer isso, isso e isso, mas sem dinheiro não dá”. Não dá para fazer da forma A, então vamos fazer da forma B. “Ah, da B também não dá”, então vamos fazer da C. O que não pode é fazer que essa situação crítica permaneça durante tantos anos e a gente acaba pagando um preço altíssimo.

A modalidade meio que perdeu a importância internamente e em nível internacional. Você vê o basquete feminino, que há pouco tempo, estava sempre os quatro melhores. Fala-se que é culpa da geração, mas como que a Argentina, que não tinha basquete feminino representativo, e hoje passar a ter, é geração será? A Espanha, até bem pouco tempo atrás, era um país de basquete, que gostava de basquete e tudo mas sem resultados internacionais, e com a organização começaram a competir hoje é uma das melhores escolas do mundo.

Eu entendo que a nossa situação econômica não deve ser muito pior que da Argentina e os caras continuam se organizando, continuam fazendo as coisas com os poucos recursos que eles têm. E a gente hoje está com uma situação meio que estacionada. Os talentos continuam acontecendo, no sentido de eles surgem, naturalmente. Temos o Didi, essa molecada que vai acontecendo, eles vão aparecendo, um Caboclo da vida. E foi fruto do quê? De um projeto de longo prazo? De treinamento? Não, foi fruto do acaso. O cara é talentoso e acabou caindo no lugar certo e na hora certa, mas não é algo programado.

O campeonato hoje é praticamente igual desde a época que você jogava, vai e vem dos times, com cada vez menos times na federação. Se um clube fecha, a culpa não é da federação, então vamos viabilizar novas formas de competição, outras maneiras de competir.

Nesse trecho acima, Adriano fala muito sobre a questão de organização, da falta de um projeto sólido para a modalidade. Eu já tinha ouvido de outros técnicos algo semelhante, e quis saber se existiria alguma modelo utilizado em outros países que poderíamos utilizar para a nossa base, ou se era questão de nos organizarmos e desenvolver nosso próprio modelo.

Eu acho que organizar melhor porque o modelo argentino serve para Argentina, o modelo espanhol serve para Espanha, o modelo americano serve para Estados Unidos, o modelo Sérvio para Sérvia. O ano retrasado eu participei de um camp lá no Bauru e veio um técnico servo, espanhol e um argentino. Cara, foi muito legal a interação! Na hora que a gente se senta para conversar, fica claro que o sérvio é um trabalhador, os caras dão treinos de 3-5 horas, é um negócio que não serve para gente.

Camp internacional realizado em Bauru

Argentina é um negócio diferente, os cara fazem muita coisa no quintal de casa, com pouco recurso e poucas possibilidades, e mesmo assim fazem acontecer. Então eu acho que é isso, a gente organizar da nossa própria maneira.

Obviamente que você vai se basear em algumas escolas mas o que não pode ser é como está hoje, tá tudo parado. Em contato com o Luiz Felipe, que está lá na Holanda e vai trabalhar com a seleção sub-15, você percebe que os caras estão se organizando, tem uma academia para os atletas, programa para os atletas, e eu estou falando da Holanda. O que a Holanda representa no cenário internacional? Mas aí você começa a ver o feminino da Holanda participando de um campeonato europeu apresentando um bom basquete, a Suécia apresentando um bom basquete. É porque geração deu certo? Não é bem por aí.

Temos as escolas tradicionais, Estados Unidos, Espanha, Sérvia, Rússia, Lituânia, Austrália, França, Canadá está fazendo um baita de um trabalho, mas cada um viu o que o outro estava fazendo e fizeram seu próprio programa, e a gente não tem.

Quando comecei a trabalhar com a Adidas, eu já comecei a ver o trabalho de Mali e Senegal (vice campeão mundial U19). Eles tinham meio que um programa que os atletas tinham uma academia nos países e uma parte do ano eles iam para a França e ficavam por lá. Olha aí, quer falar que Mali tem condições financeiras melhor que a gente? Não é dinheiro, cara, é programa.

Seguindo nessa linha de projeto, lembro de ter falado com os técnicos Filet (Unifacisa), Talita (Pinheiros) e Altieri (Barueri e Mauá) sobre esse ponto da linha de trabalho, que no Brasil é inexistente. E não pude deixar de fazer o mesmo questionamento nessa matéria.

Sim, concordo com eles, mas não fecho questão nisso. Por exemplo, os Estados Unidos não tem uma forma, a Sérvia tem. A Argentina não tem uma forma só, você vai para lá e começa a conviver e percebe que existem diferenças. Tem uma linha de trabalho mas existem diferenças.

Talita, colega de trabalho no Mackenzie

O que a gente precisava era disso aí, um alinhamento. A formação dos formadores não existe. Hoje a maioria dos técnicos tem sua formação em clube, porque na faculdade não se aprende nada de basquete, e nunca se aprendeu mas enfim, pelo menos antigamente se tinha um curso técnico, uma diretriz com uma linha de trabalho, que te dava um norte.

Há mais de 20 anos que não se tem nada. Você não está formando os formadores então cada um faz do seu jeito. Cada um com a sua experiência: o Filet foi aprender na Europa; a Talita aprendeu no Bradesco; o Altieri com outra pessoa e assim vai. Não tem uma linha, não tem uma academia para dizer como se faz. Aí, obviamente, você tem uma linha mestra, e a partir daí cada um vai ser de quanto da melhor forma possível.

E falando sobre desenvolvimento e formação de atletas, eu expus um pensamento que tenho, onde acredito que da categoria Sub-12 ao Sub-14, o importante mesmo é jogar, tirar as lições que a prática esportiva te traz. No sub-15 temos um facão e muito acabam ficando nessa categoria. Dali em diante o praticante quer buscar algo com a modalidade – profissionalizar, receber uma grana, escola melhor, ser campeão – e Adriano foi além nesse ponto e também falou como a geração de hoje lida com frustrações.

Grande equipe comandada por Adriano em 2018 – Palmeiras Sub-16

Acredito que a gente falar em 12 já começa cortando. Eu acho que a gente tinha que começar com 7 anos. Lá embaixo, aprender a competir, uma maneira mais soft. O que acontece é que a maioria dos nossos meninos começam mais tarde. Chega um momento que entra o facão. Além disso, a fase de aprendizagem dos 7 Aos 9 anos é riquíssima! Por que a gente tem tanto jogador de futebol habilidoso? Por que começou com 12 anos? Você acha que algum jogador de futebol de alto nível começou com 12 anos? O moleque cria intimidade com a bola no berço.

A partir dos 15 anos, nós temos um vício de ganhar título, mas muitas vezes o garoto não está preocupado com quem vai treinar, quantas horas ele vai treinar, que possibilidades vão existir. O cara está pensando em vestir a camisa do clube X e lá vou ser campeão. Tá, legal, beleza. Para alguns isso serve mas muito tem se perdido.

E hoje os atletas estão muito menos propensos a críticas, menos propensos ao trabalho. Está cada vez mais difícil administrar isso porque o cara termina o treino e quer ir para o celular, não quer mais chutar uma bola. No Continental eu tinha que mandar vocês irem embora, “vai para casa!”, e os caras ficavam lá até 22h jogando bola. E hoje moleque terminou o treino e já tá no ponto do ônibus e no celular.

E para confirmar como era essa época do Continental, falei com Telminho (Fábio Oliveira), que compartilhou sua experiência com Adriano e um causo bem engraçaco.

Oi, Léo, gostaria de agradecer você pela oportunidade de falar do Adriano, vulgo Portuga. Sem sombra de dúvidas, na minha opinião, é um dos melhores técnico da base do estado de SP.  Sou eternamente grato por ter sido jogador de base dele por 7-8 anos .

Respeito todos os técnicos com quem trabalhei mais fui o que fui como jogador por conta do Adriano. Lembro que logo no primeiro ano que ele chegou no Continental, ele virou pra min e perguntou “quem você se espelha?” eu disse “Oscar Schimidt”, “então vá treinar igual ele, chegue mais cedo e bola na cesta”.

Fábio Oliveira, o Telminho

Umas das melhores histórias que até hoje falamos quando nos encontramos, ou no grupo do whatsapp foi essa.

Jogo contra Esperia , tínhamos uns 13/14 anos. Na época os jogadores que saíam no primeiro quarto não poderiam jogar o segundo quarto, e o quinteto que saiu no primeiro quarto tinha feito apenas dois pontos em 10 minutos. Você não tem noção da raiva que ele estava! Ele mandou todos os jogadores que jogou o primeiro quarto para vestiário, daí o jogadores que entraram no segundo quarto fez 5 pontos! Imagina o Adriano, acabou o primeiro tempo e nossa equipe tinha feito 7 pontos! Esperia fez 35 / 37 pontos.

Fomos para vestiário, ele deu um esporro, chutou cadeira, falou tudo e mais um pouco. Voltamos para segundo tempo, fomos buscando, buscando e levamos o jogo para prorrogação! Acabamos perdendo de um ponto mas foi um jogo que jamais irei esquecer.

Dado todo esse cenário, a perspectiva de futuro do coach não são das melhores, mas só encarando os problemas de frente que podemos seguir a diante.

Existe uma acomodação da Federação, como eu falei anteriormente. Eu não vejo os próprios técnicos interessados. Eu acho que está bem acomodado e a tendência é que a gente não saia desse estágio tão cedo. Obviamente que estou generalizando, existem pessoas que saem um pouco da casinha. Você vê o Filet, que é completamente fora da casinha e o resultado tá aí, primeira temporada de adulto e já fez a coisa acontecer. Mas justamente porque é um cara que está buscando, corre atrás, trabalha e tem seus diferenciais.

Chegando ao fim da entrevista, quis saber sobre sonhos e objetivos futuros.

Eu gosto de desafios, sabe. Independente de onde vou me meter. Esse aqui vem sendo o maior desafio da minha vida. A minha vontade é continuar com basquete enquanto eu for útil, enquanto eu mentalmente e fisicamente conseguir trabalhar.

Admiro as pessoas que persistem por 40-50 anos fazendo isso, eu acho admirável. Agora eu entro no quarto final da minha carreira, apesar de 53 anos não sou assim tão velho, mas as pessoas já começam achar isso, que é obsoleto, então a minha vontade é continuar, meu sonho é continuar sendo competitivo, fazendo adulto e categoria de base, não me importa.

E para você ter uma ideia de quão marcante um técnico é na vida de um (ex)atleta, na partida pelo NBB onde o Unifacisa veio até São Paulo enfrentar o Paulistano, alguns integrantes da equipe do Ipê foram lá para reencontrá-lo. O contato entre Adriano e muitos de seus atletas permanecem até hoje.

Para você ter uma ideia, Léo, a gente foi jogar em São Paulo contra Paulistano e a minha primeira equipe do Ipê foi lá me ver, cara. Foram lá me dar um abraço, me comoveu para caramba. Esse tipo de coisa é mais importante do que os troféus, medalhas e classificações.

Primeira equipe de Adriano no clube Ipê

Ouvir de um atleta teu “Poxa, Adriano, você me inspirou, eu utilizo até hoje as coisas você que eu aprendi com você no basquete”. Tem atletas que viraram médicos, engenheiros, advogados, empresários, profissionais liberais, técnicos, e cara, é muito gratificante você ouvir de um cara como esse que o basquete para ele foi um período muito importante da vida, que aquilo impactou em sua vida de alguma forma.

Encontro do ex-atletas do Continental

Então acho que é muito mais isso do que outra coisa, isso me motiva a continuar. Tem outro grupo aqui do pessoal de 79 e 80 lá do Continental, e a gente se fala todos os dias, de brincadeiras, de basquete, comentários de determinado jogador, NBA, ou coisas fúteis mesmo, mas até hoje a gente tem contato. Sempre que vem um deles de fora, ou que estava muito tempo sem se ver, a gente se junta para jantar, para um almoço. Poxa, é um prazer gigantesco essas coisas.

Primeira equipe do Ipê! Consegui falar com um ex-atleta de Adriano dessa época, Sandro, e ele me mandou um texto incrível! Leiam esse compilado de grandes momentos do mestre.

Vou resumir o que a galera comentou no grupo de WhatsApp “Ipê Porra”, (grito de guerra antes do inícios dos jogos) formado por sócios do Clube Ipê, que foi o primeiro clube e time que o Adriano treinou no início da carreira como técnico de basquete.

É importante frisar que o Adriano teve um trabalho árduo, pois o Ipê era um dos únicos times que só aceitavam sócios, ou seja, não era permitido militantes na equipe e mesmo assim ele conseguiu formar excelentes times e atletas que depois jogaram em várias outras equipes.

O Adriano andava pelo clube recrutando a molecada para treino de uma forma bem doce e intimidadora, “Ei vc !!!! Que ano você nasceu? Te espero às 16:00 na quadra externa para treinar basquete!!!!”, isso provavelmente a partir de 1988.

Foi assim que ele recrutou a dupla de irmãos, os Dall Averde, eu, Sandro, (Magoo) 76, que jogava pela brincadeira, meu irmão, Waner (Zé Gordura) 78, que jogou posteriormente pelo Círculo Militar, os gêmeos de 76 mais diferentes do planeta, um loiro de pele negra, 1,85m e 80 Kg forte, ex pivô do Círculo Militar, Alexandre (Badula), que fez seu primeiro treino com o Adriano de calça jeans, e o outro, Fernando (Magrão), ala esquelético com 1,72 e 51 kg, jogou também no Continental, clarinho  de cabelo castanho, sem o dente da frente que foi arrancado por uma cotovelada do seu irmão na disputa pelo rebote, todos na época com uns 11/12 anos de idade.

Aí juntou com a turma dos 77 e 78, Guilheme (Gueds), também jogou pelo Hebraica, Almeida (Almeida), Ricardo (Gordinho) ex Hebraica, Ricardo Amim, Daniel (Jotalhão) ex Hebraica, Luis (Lonfa de Queijo), ex Monte Libano e Continental.

A equipe estava crescendo, e as “celebridades” mais novas (79 pra baixo), começavam a se destacar e entrar para turma dos “basqueteiros”, exemplo os irmãos Shultz, Igor e Bebê Gigante, com 13 anos, 2M e 130 kg, os  irmãos Pennas, Jiboia e Arthur, Mc Biel, Bam Bam, Pagador de Promessas com seu arremesso exótico, e Danilo (Biro Negão) com seu salto gigante, passando o sovaco do aro, dentre outros.  

Não podemos esquecer da turma dos Veteranos, alguns deles (Batalha enciclopédia do Havy Metal, Leke, Carlão, Paulão, Linguinha, Haddad o lendário Zé Ganso, com 2,04m, 120 kg de puro músculo, 56 cm de bíceps, totalmente doido) formada pelos nascidos antes de 74, que jogavam e ajudavam a botar o terror, principalmente na famosa discoteca do Ipê.

A turma era tão grande, creio que chegou a mais de 100 pessoas treinadas pelo Adriano em diversas categorias no Ipê, uns tão unidos que mantemos a amizade até hoje, as famílias se tornaram amigas, os filhos se tornaram amigos e por ai vai.

Feita essa introdução, separamos algumas situações divertidas!!!!

Apelido Pulôver do Adriano surgiu pela enorme quantidade de pelos espalhados pelo corpo dele, estilo Tony Ramos, também chamado pelos Veteranos de Conde de Parma.  Lembramos dos jogos iniciais em outros clubes, quando o ipê ainda não disponibilizava perua, o Adriano botava 9 caras dentro do fusca para irmos jogar.

O Adriano era amado, respeitado e amigo de todo mundo, mas quando ficava bravo era temido, com sua barba cerrada e cara de Lobisomem. Lembramos do dia que ele, em um determinado jogo que estávamos tomando um sacode e a arquibancada  do Ipê cheia, ele pediu tempo e gritou “VÃO TOMARRRRR NOS SEUS C…..SEUS FDPSSSSS” e jogou o garrafão de água na gente. Milagrosamente, viramos o jogo perdido e ganhamos.

Amim, pivô, lembrou que o Adriano jogou uma chave de carro nele e gritou “vê se corre seu gordo”. Lembraram também do dia em que o árbitro parou o jogo da federação e perguntou quem é A. (Mortalha), o cara estava jogando com a carteira na cintura com receio de ser assaltado, e no mesmo jogo, o Ipê perdendo por 40 pontos de diferença, ele fez uma cesta do meio da quadra chegou no banco adversário encarou todo mundo e gritou “chuuuuppaaaaa”.

Muitos jogos aconteciam aos domingos e a galera já mais crescida, muitas vezes vinha direto da balada com a cara cheia de cana para jogar, e vinha aquela frase do coach “PQP se acender um fósforo aqui explode o ginásio”.

Quando ele seguiu outros rumos e foi treinar o Continental, foi uma tristeza para o basquete no Ipê, mas ao mesmo tempo uma alegria porque nosso técnico estava treinando umas das equipes mais fodas da época.

Adriano com equipe do Continental

O Adriano, como dito anteriormente, era e é muito querido por todos e graças a ele não só criou um baita grupo, com excelentes atletas, amigos unidos até hoje, como ajudou a construir nosso caráter e auto confiança, pois apesar de todas as duras e zoeiras, ele era o maior incentivador do que um time mais precisa, a UNIÃO.

E as opniões não se modificaram com o passar dos anos, e para corroborar com esse depoimento incrível de seu primeiro time, falei com seu ex-atleta, Amós Veloso (foi seu atleta no Sub-15 e Sub-16), que deixou também belas palavras do eterno técnico.

Adriano foi como um pai para mim, sempre me ensinando, dentro e fora de quadra, sempre do jeito dele de durão. Muitas coisas que sei hoje dentro de quadra, eu aprendi com ele. E além de tudo, ele é uma pessoa muito dedicada, sempre querendo aprender algo novo. Admiro muito a pessoa que ele é.

Gustavo, Amós e Pedrão (esq. para dir.)

Outro ex-comandado e de Adriano se encontram nas quadras do NBB. Marcus Toledo, ala do Pinheiros, foi atleta de Adriano na Hebraica. Veja o que ele diz sobre o coach.

Tive a sorte e privilégio de ter estado com ele na Hebraica e a paixão dele pelo esporte ele sempre tentou passar para os atletas. Apesar de todo o sacrifício, ao enfrentar um time mais complicado, ele sempre soube passar a lei do esforço, do trabalho.

Da forma que ele é muito estudioso, tentando se atualizar, tentando conhecer várias maneiras do basquete em si, ele foi uma inspiração para mim na época da base, tinha 16 anos, e levo muitos ensinamentos dele até hoje.

Marcus Toledo, ex-atleta de Adrino na Hebraica

Ele foi uma peça muito importante na minha formação de atleta e como pessoa, de como encarar algumas adversidades do dia-a-dia. Eu acho que o maior ensinamento é esse, ele sempre foi muito trabalhador, esforçado, e procura passar isso para os atletas – pelo conseguiu passar isso para mim.

E com esse reconhecimento e carreira plena, não tem como não perguntar se não teria vontade de pegar um time de base para treinar em paralelo. Ou até mesmo assumir uma equipe da LDB.

Hoje aqui na Unifacisa, como auxiliar, eu continuo dizendo assim, eu gosto muito de trabalhar com a base, diria para você que a categoria que eu mais gosto de trabalhar é 16/17, mas não veria problema de trabalhar numa liga de desenvolvimento. Eu estou muito bem fazendo o que estou fazendo, estou aprendendo para caramba. Desde que eu estou aqui, aprendi a editar vídeo e nunca tinha mexido em um editor antes. Então cara, você vai melhorando subindo de nível. Então acredito que não tenha problema não. Eu já fui e voltei algumas vezes, não seria mais uma vez que teria problema.

O que eu acabei fazendo no Mackenzie, em 2014 quando fui para lá, foi sacrificante porque como que trabalharia com 12 e 13 anos de idade, fiquei muito tempo sem trabalhar com essas idades e tive que reaprender.

Fui fazer curso de psicopedagogia, fui estudar para entender como eu poderia acessar melhor meus atletas. Antigamente as gerações mudavam a cada 10- 15 anos, agora a cada 5 anos as gerações mudam, elas estão alterando seu perfil, então preciso ficar mais atento e habituado ao que está acontecendo.

Adriano no Mackenzie

E outra, você vai do nível adulto para o nível 14/15, não quer dizer que você sabe tudo. Você vai ter que aprender um monte de coisa, está constantemente aprendendo.

E chegamos ao fim da entrevista com o coach Adriano. Gostaria aqui de deixar meu muitíssimo obrigado pela disponibilidade dessa papo. Foram duas horas de conversa que poderiam até ser mais! Adriano é sem dúvida um dos técnicos que mais admiro e tenho certeza de que ele irá contribuir ainda muito mais para nosso basquete brasileiro por um bom tempo, seja na base ou no adulto.

Fica abaixo uma mensagem do coach para a comunidade e eu me despeço aqui.

É isso, pessoal. Um abraço e até a próxima!

É muita pretensão minha querer colocar uma mensagem, mas se eu pudesse voltar atrás e de alguma forma ajudar, o caminho seria da gente não ficar acomodado. A gente tem que trabalhar sempre e estar sempre aprendendo. Por mais que você discorde ou não tenha uma empatia com a pessoa, você precisa respeitar um ao outro, respeitar o trabalho do outro.

Muitas vezes a gente fala “fulano de tal é isso, fulano de tal é aquilo”, como a gente até comentou do Dinho. Ou a Thelma é isso, o Adriano é aquilo, as pessoas acabam rotulando e esses rótulos não são bons, não fazem bem a ninguém. Então é mais olhar para o próprio umbigo e seguir sua vida, sabe, acho que seria isso.

Adriano e Thelma, antes do jogo entre Mackenzie x Pinheiros no sub-15 de 2018

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