Podcast Me Adiciona Aí

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Fala, pessoal!

Recentemente fui convidado por um podcast chamado ‘Me Adiciona Aí‘ para falar sobre basquete de base. Minha participação foi no envio de um vídeo fazendo um geral sobre a modalidade.

O podcast pertence a jornalista Allana Alves e ele fala sobre comunicação, tecnologia, esporte e criatividade. Esse episódio sobre basquete de base teve a participação do atleta Bruno Fiorotto e do técnico Luis Mota.

O programa foi muito bom, mas muito bom mesmo! Em diversos momentos eu me pegava falando sozinho sobre o assunto enquanto escuta o episódio e a conversa fluiu para pontos muito importantes, que eu inclusive mencionei no meu vídeo, antes mesmo do podcast ter sido lançado.

Os participantes falaram sobre o trabalho de formação, as diferenças entre as gerações atuais de atletas, transição de base para adulto, expectativas dos clubes, cultura da vitória e muito mais. Recomendadíssimo esse episódio.

Abaixo coloco minha participação e gostaria de desenvolver mais alguns pontos.

Bom, eu basicamente falei sobre 3 temas:

  • Onde os trabalhos são realizados

Hoje o estado com maior atividade no basquete de base é, sem dúvida, São Paulo. Tem muitos times disputando o NBB, tem o único estadual relevante e isso faz com que muitos atletas venham para cá.

Acabei não mencionando, mas SC vem fazendo um trabalho de massificação impressionante. Se não me engano, tiveram quase 40 times disputando o campeonato Sub-12 masculino e uma quantidade expressiva no feminino também. Acredito que, pelo fato de não haverem times no NBB, o estado acabe perdendo muitos talentos por falta de perspectiva.

Falei de MG também, que possui o Minas Tênis como grande representante no NBB, mas na base temos outros grandes exemplos como Olympico Club, Praia Clube e Ginástico.

Final mineira na Copa Brasil Sub-14

Destaquei Espírito Santo, que vira mexe lança grandes talentos e é pouco falado, mas importante aqui é que temos grandes jogadores surgindo em todos estados, grandes prospectos do Pará, Rondônia, Roraima, Bahia, Goiás, Rio Grande do Sul. Enfim, trabalho de qualidade existe em todo lugar, o problema é a visibilidade desses trabalhos.

Não consigo nem imaginar quantos Mateus Leoni, Klébinhos, Julios, Cadurys nós já perdemos nos processos de formação anteriores – e quanto ainda perdemos e vamos perder!

  • Revelação de atletas

Esse eu acho que foi um dos pontos que mais discordei do podcast. Nesse assunto, o Bruno Fiorotto relata que, em sua época de transição, os jogadores mostravam mais garra para conseguir um espaço, precisava-se brigar mais por uma posição no time, e hoje, os atletas estão mais acomodados.

Concordo em partes com esse pensamento. Existe uma diferença geracional, de fato, mas não acho que devemos esperar alta performance de atletas recém saídos da base. Isso não acontece nem na NBA, onde os times hoje trazem os jogadores não apenas pensando no que eles podem entregar no momento, mas no potencial deles também. Entendendo que a curva de aprendizado acontece, ainda mantém uma liga de desenvolvimento, a G-League.

Nosso vizinho Argentina tem um pensamento mais direcionado na formação, tanto que existem times profissionais com essa visão, e vivem lançando novos nomes ano após ano.

Eu acredito que o brasileiro não tem uma cultura esportiva, de valorizar o esforço, a disputa, a competição em si. Nós valorizamos títulos, e para tê-los precisamos buscar atletas experientes ou estrangeiros, e nossa base fica em terceiro plano. Existem exceções, como mais recentemente Didi e Yago, mas ter times focados em desenvolver atletas é raro por aqui.

Raulzinho teve muitas oportunidades enquanto estava no Minas Tênis, onde jogava no adulto com 16-17 anos. Era claramente um pensamento do clube desenvolvê-lo. Vi uma postura parecida também no caso de Gui Deodato por Bauru, Fischer em São José dos Campos, mas é muito incomum.

Raulzinho atuando pelo MTC. Fonte: LNB

Hoje o Paulistano parece ter abraçado ese formato, e de fato dá muita oportunidade para os atletas de sua base ou recém chegados ao adulto, como por exemplo: Georginho, Lucas Dias, Arthur Pecos, Yago, Dikembe, Ruivo, Beto, Vitão, Jonatan e outros.

  • Organização do esporte

Sobre a organização do basquete brasileiro, existe praticamente um consenso que deveria ser criado um processo em comum para o país. Isso também foi discutido no podcast e é uma boa forma de equipes profissionais saberem que tipo de atletas estão sendo formados nas bases e alinharem as expectativas. Hoje o basquete pede atletas versáteis, mas quantos nós temos no adulto que de fato o são. Ou pivôs mais ágeis, com fundamentos melhor trabalhados.

Por acompanhar a base, eu vejo que existe um esforço de muitos clubes em se manterem atualizados com as demandas globais. Vou dar 2 exemplos: Henrique, ala Sub-15 do Pinheiros e formado pelo Regatas, chegava a jogar de armador nas categorias Sub-12/13, mesmo sendo o mais alto do time; Gustavo, também do Regatas, é um dos maiores atletas da categoria Sub-14 (deve estar com 2 metros ou mais no momento), e sei que o clube o treina até mesmo como ala (seu jogo de pés é muito impressionante).

Dei dois exemplos apenas mas conheço muitos outros, porém sei também que não são todos que tem essa maneira de pensar. Acredito que todos estão fazendo o seu melhor, mas o que cada um acha que é o melhor. Falta um planejamento do que esperamos dos nossos futuros atletas, um acompanhamento mais técnico e analítico do que fazer e porque fazer.

No podcast, Luis relata que na França existe uma seleção enorme baseada em altura dos atletas desde os 12/13 anos. É um método ruim? Talvez, mas é um método, é estruturado e o país definiu que atenderá o que precisam. Precisamos achar o nosso, e não copiar exatamente o que é feito nos outros países. Cada lugar tem suas particularidades.

Outro ponto interessante foi sobre massificação. Bruno tem suas dúvidas, pois quando privilegia a quantidade, se esquece da qualidade. Concordo com isso, mas acredito que antes de buscarmos a qualidade, precisamos ir na quantidade. Num país desse tamanho, formar uma seleção de base (ou adulta) deveria ser um trabalho angustiante, mas não é. Seja por falta de conhecimento ou opções, muitas convocações são totalmente previsíveis.

Bom, era isso que tinha para falar. Ouçam o podcast que o programa foi de altíssima qualidade!

Um abraço, pessoal, e até a próxima!

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