Conheça a APAGEBASK, formando cidadãos acima de tudo

Fala, pessoal!

Algumas semanas atrás eu recebi um direct no Instagram de uma pessoa relacionada ao ApageBask, elogiando um post que tinha feito sobre o time feminino. Perguntei se ele jogava lá e o mesmo me respondeu que sim, que fazia parte da equipe Sub-20 e havia ganhado uma bolsa de estudos na universidade através do time, e que também estagiava nas categorias de base diretamente com os meninos.

Bom, foi um baita de um pitch e levou apenas algumas mensagens para eu querer entrar em contato com o time para conhecer mais sobre o projeto. Quem fez esse meio de campo foi Bruno Pires, que foi quem me contatou inicialmente a respeito do post.

Pois bem, falei com Aline Vasconcelos, filha de Vilma (idealizadora do projeto), e pude conhecer mais detalhes dessa organização e gostaria que vocês conhecessem também. O time tem uma filosofia muito legal e compartilho total com ela, que é usar o esporte como agente de transformação.

Bóra para a entrevista!

– Quanto tempo está no projeto e quais suas funções desempenhadas?

Meu é Aline Vasconcelos e estou no projeto desde o inicio. Joguei basquete desde os meus 7-8 anos até os

Vilma e Aline

18, e parei apenas para fazer faculdade e seguir carreira na minha profissão. Hoje eu administro as redes sociais da Apage (Twitter, Facebook, Instagram) e o canal do YouTube. Não apenas eu mas muitos ex-atletas quando paravam de jogar, começavam a ajudar fora das quadras. E é muito legal, porque é justamente esse intuito, eles buscam fazer com que a gente tenha o rumo certo. Meu marido, desde a época que éramos namorados, também já me ajudava com essas questões porque ele é designer e então cuidamos dessa parte até hoje.

– Qual o público alvo do projeto?

O público alvo a gente pode dizer que é desde os 6 anos até 18-19. A partir do momento que começou a associação, a gente ainda não tinha todas as parcerias que temos hoje. Por exemplo, tive toda minha formação escolar com uma parceira da minha mãe Vilma, onde ela já tinha atletas formados. Nós tínhamos treinamento todos os dias, recebíamos as bolsa de estudo e em troca a gente jogava pelo colégio, dando visibilidade comercial para as instituições. O público alvo foi adiantando as idades conforme a gente foi crescendo. Começou com essa questão das escolas e faz mais ou menos uns 3 anos que nós estamos com as faculdades também. Então acontece que a partir do momento que as crianças estão crescendo, algumas já estão na faculdade, continuam representando a ApageBask nos jogos e nas universidades, além das escolas.

– Qual o objetivo da ApageBask?

Nosso objetivo é sempre formar cidadãos. Sempre foi o primeiro foco da Vilma e assim continua com seus treinadores. Até porque ela mesma fala, e com muito orgulho, que o maior orgulho dela é saber que quem passou pelas suas mãos, hoje está trabalhando, tem sua profissão, saiu de uma comunidade, onde poderia ir para outros caminhos, e por conta do basquete estudou, concluiu seus estudos, fez faculdade, tem uma vida ok e teve uma ascenção profissional. Esse que é o foco, formar cidadãos com ajuda do esporte.

Em consequência, formamos muitos profissionais do basquete. Ela conseguiu formar muitos cidadãos, é um número bem alto de pessoas que seguiram para o bem, e eu posso dizer porque fiz parte das equipes, eu acompanhei desde criança a entrada das pessoas na área. Por exemplo, o Dyego, nosso técnico do feminino, ele era aluno da minha mãe, ele jogou basquete. Se formou, fez faculdade e com ajuda da minha mãe, ele conseguiu fazer estágio no Sesi. Ele se tornou profissional e hoje é um dos técnicos mais consagrados da nossa associação. Essa formação de cidadão para ela é o foco, mas em consequência disso, formamos excelentes profissionais na associação.

– Quantas pessoas estão envolvidas na organização da associação?

Podemos colocar umas 20 pessoas envolvidas na organização da associação, entre técnicos, estagiários, que todos foram atletas da ApageBask, e alguns ainda são. Meninos e meninas que jogam sub-19 ainda treinam, e eles recebem a faculdade também, em parceria com a nossa organização, e ainda conseguem estagiar conosco. Então vamos dizer que temos esses profissionais, estagiários e técnicos, e aí vem fisioterapeuta (Dra. Silvia), uma preparadora física (Alba), psicóloga (Helena), só que essas pessoas são voluntárias.

Na inauguração do SESC Guarulhos, as nossas meninas da Apage fizeram um amistoso com as jogadoras da Seleção Brasileira de 94

O nosso corpo se resumo em +/- 20 pessoas, porque além dos nossos 7 técnicos e mais uns 5 estagiários, a gente ainda tem uma quantidade de pessoa que ajuda na alimentação. Temos também uma casa para as meninas que vem de longe, e uma pessoa ajuda na alimentação. Tem pessoas que auxiliam na parte administrativa, como o Diogo e seu pai, o Gomes, que foram essenciais no projeto, tanto na concepção e planejamento como na parte contábil também. Inclusive o Diogo já foi presidente da associação. E fora isso, muitos pais estão envolvidos. Tem uma mãe, por exemplo, Adriana, que ela faz a parte administrativa das inscrições. Ela fica na quadra onde a gente treina, de terça e quinta-feira para receber os novos alunos.

Tem bastante gente envolvida na organização da associação. Temos um presidente, o Edson, pai de uma aluna também, a coordenadora que é a minha mãe, os técnicos que são 7 (Blaus, Sandro, Dyego, Gleisi, Anderson, Anacleto e minha mãe Vilma), os estagiários em educação física e nós nas redes sociais.

Aproveitando o momento, pedi um depoimento de um dos integrantes da associação, Bruno Pires, que é estagiário hoje na Apage:

Meu nome é Bruno, tenho 20 anos e estou na ApageBask há 4 anos. Ingressei em 2016 na equipe Sub-17, entre 2016 e 2019, e fui 2 vezes vezes vice-campeão Sub-17, vice-campeão Sub-19, campeão Sub-20 série ouro e campeão adulto série prata. Em 2018, quando completei 18 anos, a associação me ofereceu uma bolsa de estudos integral em parceria com a Universidade de Guarulhos (UNG) onde participamos de campeonatos representando a mesma.

Bruno Pires

    Em 2019 fui convidado pela professora e coordenadora Vilma a estagiar nas categorias de base, tanto em formação quanto alto rendimento. Foi um divisor de águas pra mim, eu conhecia o projeto como atleta e pude conhecer como profissional e como humano. Um projeto imenso que ajuda muitas pessoas, não só na formação como atleta mas como cidadão, uma associação que tem como base os valores, disciplina e educação no esporte trazendo tudo isso para crianças da cidade, uma associação que procura ajudar a todos, tanto com bolsa de estudos quanto na oportunidade de todos jogarem e fazer o que amam.

     Em 2019 ingressei nas equipes de categoria de base como estagiário e principalmente no Sub-12 masculino, acompanhado treinos e jogos do Campeonato Paulista e Copa Sul-Americana, onde aprendi muito com a Professora Vilma e Wagner. Tive contato direto com o corpo de profissionais que me ajudaram e ajudam muito até hoje, Sandro Luiz, Dyego Maranini, Anacleto Filho, Blau do Carmo e todos que fazem parte desde da mídia até no pré jogo, me dando a oportunidade tanto de aprender como ensinar, e sou muito grato a isso. E 2020 é meu segundo ano como estagiário. É um projeto maravilhoso da cidade de Guarulhos que merece visibilidade, é uma família desde das escolinhas, categorias femininas e masculinas até formação de futuros profissionais, como eu e amigos de equipes e hoje de profissão, onde se tem muitos talentos  e pessoas do bem com intuito de ajudar e formar não só atletas mas cidadãos.

– Quantos atletas fazem parte dos times?

Nós estamos hoje com 200 crianças e jovens, levando em conta desde as escolinhas até as categorias mais altas, que seriam as meninas de 19 anos.

– Qual a relação do projeto com desenvolvimento do atleta (convênio com instituições de ensino e outros)?

A gente tem convênio nas instituições de ensino, de onde temos as bolsas de estudo. O maior benefício que a gente pode passar para essas crianças é o estudo, então parte de nós conseguir conciliar uma criança a ter bom estudo e bom desenvolvimento com o basquete. Principalmente aqueles que já estão nas equipes, esses são os principais para terem um estudo de qualidade. Eles podem virar jogadores de qualidade mas precisamos cuidar da formação educacional deles também.

Atletas da ApageBask representando o colégio Maha-Dei

Hoje em dia temos o convênio com duas escolas particulares, que seriam o Colégio Maha-Dei e o Colégio Integrado Guarulhos, e também as faculdades FIG (Faculdades Integradas de Guarulhos) e a UNG (Universidade de Guarulhos). Em troca, eles devem jogar por essas instituições. Isso ajuda pois os atletas não precisam se mudar devido o ensino, ou se os pais não conseguem pagar um colégio e a criança para de estudar. Isso não acontece aqui, a gente busca para que eles sempre tenham. Isso desde a minha época de jogadora, minha mãe cobrava boletim. O desenvolvimento educacional anda lado à lado com o basquete.

– Quais os maiores desafios que enfrentam?

Bom, a gente teve mutos desafios no início. Passar a noite fazendo lanche para entregar aos alunos no dia seguinte no final do jogo, correndo atrás de transporte para viajar, fazer vaquinha para levantar recursos. Para quem é da realidade do esporte no Brasil, sabe que a gente passou por bastante dificuldade mas, atualmente, devido aos bons resultados, começamos a receber um apoio maior.

Tivemos apoio da secretaria de esportes aqui de Guarulhos, onde nos tem ajudado com os campeonatos e com transporte. Obtivemos também mais parcerias das faculdades, e hoje em dia já estamos com dois pólos. Um pólo da ApageBask fica num clube, e o outro fica na quadra da FIG. E esses incentivos começaram devido nossos bons desempenhos nos campeonato de formação.

Maiara e Sara, destaques Sub-17/19

– Quais foram os momentos mais marcantes na história do time?

Temos muitos momentos marcantes. Na verdade a gente fala que o nosso espanto quanto ao nosso desempenho é muito pelo fato de que a gente tem uma estrutura braçal mesmo, que conta com ajuda dos pais, com um ajudando aqui e ali, vai ter um sul-americano, vamos pedir ajuda de empresas para uniformes. É tudo muito assim. E a gente consegue bater de frente com equipes com estrutura gigante, muito maior que a nossa.

Nos primeiros campeonatos, que foi nos nossos tempos mais difíceis, que tínhamos que correr atrás de um pai que tinha uma perua para levar  time, que tinha que juntar mães para fazer os lanches, a gente conseguiu ganhar um campeonato sub-13, ganhando de times como o Bradesco, e isso é realmente muito marcante! Tanto para a historia da Apage quanto dessas meninas, que com muito treino e disciplina, se consegue muito, e é isso que foi acontecendo. Tempos foram passando e a gente conseguiu fazer disso o nosso lema, de que mesmo com as dificuldades, a gente consegue bater de frente com essas equipes mais fortes.

O masculino ano passado era um time que começou muito novinho. Eles eram sub-12 mas nem todos tinham a idade de 12 anos, alguns tinham 10. E com muito treino e dedicação, conseguiram chegar na final de um campeonato paulista, ganhando de times como o Palmeiras, times muito estruturados. Eles chegaram na final do paulista, foram vice e passando para o estadual, foram campeões contra o São Paulo, que haviam perdido no final do paulista. Foi marcante para caramba!

ApageBask Sub-12 campeão estadual de 2019

Nós temos dois jogadores que se destacam muito nessa categoria. O LeBron que é alto e bem desenvolvido, minha mãe pega muito no pé dele em questão de disciplina. E o Davi também, o irmão dele já jogou muito tempo atrás, inclusive com o Gabrielzinho, irmão do Jefferson Campos,  e também é muito dedicado. Eles destacavam muito no time e graças a dedicação de todos, eles chegaram num patamar de visibilidade muito grande, ainda mais no masculino que é muito competitivo.

Outra coisa interessante foram nossas premiações individuais, onde quase todos os anos a gente teve prêmios na federação, principalmente no feminino porque foi quando a gente teve meninas como Isadora, Sara, Maristela e as gêmeas Maiara e Maísa se destacando. Tivemos nosso técnico como destaque da federação e campeão sul-americano treinando por apenas 8 dias. E a Sara, além de ter ido para seleção brasileira, conseguiu ir para os EUA justamente por essa visibilidade. Hoje joga no Oklahoma e faz faculdade por lá, e foi uma coisa muito grande para gente porque é uma menina muito batalhadora. Hoje ela só tem a irmã, não tem mais os pais e minha mãe acabou ajudando muito, sendo uma segunda mãe para ela. Ate mesmo quando o pai dela era ainda vivo, minha mãe sempre pegou muito no pé, ensinando disciplina, valores, e até mesmo comprometimento no esporte.

Dyego e Sara

Às vezes a criança não tem esse comprometimento porque ainda acha que o treino, por ter certo talento, é brincadeira, e é preciso colocar na cabeça deles que são capazes de chegar longe, e isso é muito importante. São vários marcos que podemos citar.

– Houveram momentos que o projeto ameaçou acabar?

A gente nunca pensou em desistir, mesmo nos momentos de dificuldade. Minha mãe já correu atrás de transporte, fomos para campeonatos divididos em carros por falta de van, então desistir eu acho que a própria Vilma nunca pensou. Agora, a gente sabe que existe uma grande questão que seria a categoria de base. A gente sabe que os patrocinadores muitas vezes não vêem a base como promissora e eles acabam vislumbrando um adulto para dar toda infraestrutura. Só que essa base vai chegar no adulto, então essa é nossa luta, para que os patrocinadores e empresários reconheçam que a base é o futuro dos nossos times adultos, principalmente por sermos formadores de atletas.

Minha mãe nunca foi de olhar um time do Palmeiras ou São Paulo e tentar trazer para cá, até porque esses times grandes têm ajuda de custo e o máximo que podemos dar é educação. Lógico, ajudamos quem mais precisa, mas aquela coisa, a gente vai lutando e ajudando dia após dia. A gente tenta manter o que temos, formamos a base e procuramos manter o que a gente tem e a gente luta para que tenha reconhecimento.

as irmãs Maisa e Maiara Pereira e o técnico Dyego Maranini convocados para seleção Sub-17

– Qual a importância do esporte de formação na sociedade?

A gente acredita que o basquete pode melhorar muito. Principalmente em Guarulhos, que é uma cidade que não tem um esporte de foco, popular. Temos futebol na 4ª divisão, ginástica, mas são restritas as opções de esporte. Umas das maiores cidades e têm pouquíssimas vagas para prática de esporte. E o basquete aqui já teve seu ponto alto. Através do basquete podemos mudar as cidades e comunidade.

Hoje temos 2 pólos mas pretendemos ampliar para outras regiões de Guarulhos, que vai ajudar a fomentar o basquete, fazendo com que muita gente saia da rua, da ociosidade, que corre risco de ir para outros caminhos. Muitos vão fazer disso uma profissão, e se não for o caso, como a gente mesmo fala, nossa busca mesmo é formar pessoas éticas, com disciplina. Foi o que aprendi, independente de ser filha da Vilma, mas digo pelos meus amigos do basquete. Eles batalharam, treinaram e agente acaba saindo do esporte com outro pensamento, do que é ser responsável, ser ético, ter disciplina, e é muito importante para formação da sociedade, na entrega dos valores.  As crianças vão aprender isso nas quadras, nos treinos com os técnicos. Então, acho que isso que a gente tem a entregar para nossas crianças e jovens.

– Mensagem para a comunidade do basquete.

A frase da minha mãe seria: todos têm direito a sonhar, e se você sonha, tem a possibilidade de chegar onde sempre quis. Só que não pode esquecer que só sonhar não é suficiente, tem que acordar e botar em prática. E a dedicação vem desse sonho, é o que vai fazer de fato chegar longe.

Obrigada pela oportunidade. Espero que tenha entendido sobre nosso projeto e espero não ter falado besteira (risos).

Imagina, eu que agradeço a disponibilidade, Aline! E mal posso esperar para cobrir um jogo do Apage em Guarulhos para ver o projeto de perto.

Caro leitor, veja as oportunidades que o esporte pode lhe trazer, as experiências riquíssimas que vêm de se participar de um time. O que quero ressaltar é que, principalmente nas categoriais iniciais (até uns 15 anos), você pode ter chance de jogar em times que tem muito a te oferecer, que com certeza será mais valioso que um título.

Nas categorias mais altas, ok, entendo a necessidade de se transferir para um time de maior visibilidade e estrutura, mas no início, privilegie sua formação como atleta e ser humano. Às vezes um time com essas capacidades está mais perto do que imagina.

É isso, pessoal, um abraço e até a próxima!

1 comentário Adicione o seu

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s