Que tal mudarmos as categorias Sub-12/13?

Fala, pessoal!

Tempos atrás estava conversando com um ex-técnico meu e ele havia mencionado como era o modelo de jogo na Espanha com as categorias iniciais referente ao tempo das partidas (mais adiante vou descrever como é) em comparação como nós trabalhamos por aqui. Achei interessante e comecei a pensar se funcionaria aqui, visto que muita coisa me incomoda no formato dos jogos até 13 anos.

Vou tocar basicamente nos seguintes pontos: formato do jogo; restrições ofensivas e defensivas; e uso de tabelinha e subida de categoria.

Formato do Jogo

Nas categorias iniciais, eu gosto bastante do modelo do Sub-14, onde cada jogador pode atuar por, no máximo, 30 minutos no tempo normal. Já nas categorias Sub-12/13, onde os jogadores jogam por apenas 20 minutos, sempre me desagradou. Entendo o lado de dar mais tempo de jogo para cada atleta, e concordo, mas vamos ver de outro forma.

E se eu tiver em minha equipe um armador que se destaca nos passes. Por melhor que seja um passador, ele precisa que seus companheiros sejam efetivos ofensivamente para concluir suas assistências. Se esse atleta não tem a oportunidade de jogar com o melhor time possível, seu jogo nunca será aproveitado ao máximo, a não ser que ocorra um prorrogação. Ou um ala um pouco mais alto que é colocado para jogar de pivô, mas que poderia estar no perímetro se tivesse na configuração mais forte possível.

São exemplos pontuais, mas sempre fico com a impressão que os jogos Sub-12/13 poderiam ser ainda melhores se tivessem esse formato.

Sugestão:

Não sei dizer ao certo se é o modelo de toda Espanha, mas a ideia seria que invés de jogarmos em 4 quartos de 10 minutos, onde cada jogador joga 20 minutos, minha sugestão seria do jogo ocorrer em 6 tempos (equivalente ao quarto) de 8 minutos, onde os atletas seriam distribuídos da seguinte forma:

  • 1T: entra o time A
  • 2T: entra o time B
  • 3T: entra time A
  • 4T: entra time B
  • 5T e 6T: todos atletas podem jogar.

Nesse formato, os atletas jogariam de 16 à 32 minutos. Você pode pensar que alguns atletas perderiam 4 minutos de quadra, mas acho que nessa idade não seria tão eficaz deixar um quinteto 32 minutos. Muito provavelmente seria necessário rodar o time e dar os minutos de quadra para outros jogadores.

Outra questão seria custo de arbitragem, pois a partida levaria 48 minutos, e não mais 40. Caso o custo a mais não fosse sustável, eu retiraria o 6T e deixaria apenas o 5T como livre para todos jogadores, e aí o tempo seria de 40 minutos ainda.

Restrições defensivas e ofensivas

Bom, se você leu meu texto sobre defesa zona (leia aqui), já sabe que tenho muitos questionamentos sobre seu uso, principalmente nas categorias iniciais. Hoje na federação paulista o uso da defesa já é “proibido” e eu manteria (se possível, mais rígido). Gosto também da implementação das regras de 3 segundos defensivos e impedimento no uso de pressão que a FPB adicionou, manteria todas.

Sugestão

No ataque eu seria um pouco polêmico, e talvez maluco, mas nunca discuti esse ponto com ninguém então preciso de mais contra-argumentos. Eu retiraria as cestas de 3 pontos.

WHAT???

Logicamente que não iria penalizar bolas de longa distância, elas só valeriam 2 pontos como qualquer outra cesta de jogo. Acredito que isso privilegiaria um jogo mais interno e de meia distância, que seria mais de acordo com a força de boa parte dos atletas da base nessas idades.

Eu deixaria a bola de 3 com uma condição, se na categoria Sub-12 tivesse o uso do recurso abaixo.

Uso de tabelinha e subida de categoria

Sim, na categoria Sub-12 eu acho essencial o uso da tabelinha. Eu criei uma pesquisa no Instagram e o resultado deu mais de 60% dos votantes favoráveis ao NÃO uso da tabela. Aí pedi que me enviassem seus pontos de vistas. Vou responder alguns deles porque acho que, automaticamente, irei expor os meus pensamentos.

Acho importante a tabela oficial para o jogador já se acostumar desde pequeno.

Quando passava do Sub-12 ao Sub-13, a noção de arremesso e bandeja mudava totalmente

Certo, mas um atleta começa seu desenvolvimento na categoria Sub-12, vai passar pela 13, 14, 15, 16, 17 e dois anos na 19. Esse um ano jogando na tabelinha, favorecendo seu entendimento do jogo, e não puramente a força de um arremesso, vai ser tão prejudicial assim? Sem falar que durante toda sua trajetória na base, seu corpo passará por mudanças que o farão adaptar seu estilo de jogo. Um atleta pode ficar mais alto e sua batida de bola precisará se adequar; ganhará mais massa muscular, e será necessário menos esforço para um arremesso mais longo; sua passada pode aumentar, logo sua bandeja precisaria ser modificada e tnre muitos outros ajustes.

A tabelinha trará foco no desenvolvimento dos fundamentos e entendimento do jogo, e não em destruir sua mecânica de arremesso (que para corrigir é muito difícil) para não cometer um airball.

O problema não está na tabelinha, está no modelo competitivo inadequado à idade. Prós: favorece a aprendizagem das finalizações, próxima ou longe do aro. Contra: no modelo brasileiro, diminui o espaço da quadra, favorece os mais altos, sobretudo para defesa.

Menor que 13 anos deveria ter tabelinha pois muitas crianças não tem força para tabela normal

Exatamente. Vamos pensar assim, aqui no Brasil começamos a prática do basquete de forma tardia, com 11-12 anos (9-10 anos é considerado MUITO cedo), enquanto que outros países se inicia tão cedo quanto brasileiros iniciam no futebol. Se esse fosse nosso caso, ok, concordo que poderíamos usar a tabela oficial desde os 12 anos, mas não é o que vemos.

Basquete é um esporte com muitas regras e complicado de se aprender. Colocar um tabela oficial é só mais um dificultor no processo de aprendizagem. Esse é um dos motivos que a defesa zona e pressões não deveriam ocorrer também, pois grande parte dos atletas ainda não têm entendimento do jogo ou força física suficientes para quebrar essa barreira.

Colocar garotos muito altos plantados no garrafão e ainda usando uma tabela baixa seria terrível com o desenvolvimento do atleta e com outros times. Nesses casos, acredito que permitir que jogadores possam subir de categoria seria excelente para sua formação (em SP, a subida só ocorre a partir da categoria Sub-14). O depoimento abaixo vai bem de encontro.

Para mim o uso da tabelinha é um problema, principalmente no Brasil. Pois times/técnicos, pelo menos aonde eu joguei e vi, utilizam isso para ganhar jogos e não para formar atletas. Um grande exemplo disso é treinar atletas que são altos para idade somente como pivôs, ficando embaixo do aro e utilizando isso para ganhar jogos. Já vi muitos jogadores, somente por serem altos no sub-12, não sabendo mais jogar conforme aumentava a idade. Com a tabela maior, ao meu ver, isso diminui um pouco pois fica mais “equilibrado”. Nos EUA, os atletas que são maiores, principalmente quando são mais novos, são treinados da mesma maneira, e com isso ganham muitos jogadores de talento. Falo isso pois conheço vários (e não são poucos) daquele famosos 4 que deveriam ser 3, e que hoje não jogam por causa disso. Pelos técnicos e times que só querem ganhar e não formar, e com isso perdem atletas valiosos

Esse é um exemplo que mostra que o problema não está na tabelinha, mas sim nos técnicos que estão mais preocupados em vencer do que ensinar. Entendo toda a pressão que os profissionais da área possam vir a receber por essas vitórias, mas o foco aqui é realmente esse, mostrar que estamos olhando para o caminho errado.

Vejo sua retirada apenas por questão operacional, de por ou retirar!

Não vejo problemas em os próprios atletas fazerem a movimentação das tabelas. Na minha época era assim. Eu acho que um time ter alto falantes para anunciar jogadores muito mais desnecessário visando formação de atletas, por exemplo.

Aí fica uma dúvida, caro leitor, e no vôlei? Além deles compartilharem a quadra de basquete (e precisarem colocar e retirar redes), ainda tem a diferença de altura das redes. Sinceramente não sei se isso incomoda tanto eles.

Sem a tabelinha, a criançada que tem menos força aprende os fundamentos de arremesso errado. Aí quando fica mais velho, tem que passar por um processo de reaprender a arremessar.

Perfeito. O foco nessa idade deveria ser adquirir e aprimorar fundamentos corretamente, não de qualquer jeito.

Gostaria agora de mostrar como a federação catarinense trata o assunto. Veja abaixo um resumo do regulamento utilizado em 2019 para a categoria Sub-12 (o regulamento de 2020 não chegou a sair):

  • É obrigatório ter de 10 a 12 atletas relacionados;
  • Quem atua no 1ºQ não pode atuar no 2ºQ (ou seja, máximo de 6 atletas por quarto). A partir do 3ºQ está liberado;
  • Não pode marcação pressão quadra inteira a partir de qualquer reposição até o fim do 3ºQ. No 4ºQ tá liberado;
  • 3 segundos defensivo;
  • Aro a 2,60m do chão;
  • Não tem cesta de 3 pontos.

Além disso, o diretor técnico da federação diz qual o objetivo do estado para a categoria Sub-12:

“O Sub-12 é a nossa primeira categoria, é introdutória, então o principal objetivo é fazer as crianças se apaixonarem pelo basquete. Em 2019, participaram aproximadamente 660 crianças no basquete (270 meninas e 390 meninos) inscritas em 44 equipes (18 femininas e 26 masculinas). Então o regulamento é pensado junto com os clubes visando justamente esse desenvolvimento.

Além disso, o Sub-12 também é um campo de desenvolvimento para árbitros, é onde os mais jovens começam. E os árbitros têm um papel importante, pois lá na Clínica de Padronização de Arbitragem, antes de cada temporada, eles recebem a orientação para atuar de uma forma mais pedagógica, ensinar aos atletas, serem pacientes e não tão rigorosos com as marcações.”

Luiz Gastão Dubois, diretor técnico da Federação Catarinense de Basketball

Mas vamos voltar por um instante: por que a tabelinha saiu?

Pois bem, recebi um link para uma publicação do professor Dante de Rose, uma autoridade no que diz respeito ao basquete de formação, onde ele fala exatamente sobre isso – leia aqui. Gostaria de destacar alguns pontos interessantes.

Aparentemente foi uma votação que resultou na retirada da tabelinha se utilizando de várias justificativas. Entre elas a falta de profissionais para colocar e retirar a tabela e, a principal delas, a regra da FIBA que agora regulamenta esta altura para esta faixa etária.

“Falta de profissionais”… Olha, é uma justificativa muito safada, desculpe as palavras, caro leitor. Na minha época, como mencionei anteriormente, eram os próprios atletas que colocavam e retiravam as tabelas. Precisa de um profissional para isso desde quando? Só me faltava querer criar uma taxa de colocação de tabelas. É muito má vontade uma justificativa dessa.

Pois bem, segundo a matéria, outra normativa é que não hajam bolas de três, mas que não ocorra marcação por zona, por exemplo. Ou seja, alguns itens são absorvidos mas outros não. Veja abaixo a carta da Liga Estudantil de Basquetebol sobre o assunto. Ela é bastante precisa nas consequências de se utilizar uma tabela oficial e a experiência da Argentina no assunto.

Prezados Senhores;

Por meio deste oficio vimos apresentar os motivos pelos quais a LBE (Liga de Basquete Escolar) acredita na importância da manutenção da regra da altura do aro de 2,65 (2,75) na categoria de Mini pela FBP (Federação Paulista de Basketball) no campeonato de 2016.

O Mini é a fase mais importante no processo de formação dos atletas de Basketball, por ser a primeira categoria, é nesta idade que o atleta inicia a aprendizagem das habilidades e fundamentos do jogo e ao mesmo tempo toma gosto e motiva para o processo de treinamento e competição, adquirindo experiências ricas para seu desenvolvimento biopsicossocial e contribuindo para sua formação integral.

Pelo caráter educacional e nesta categoria também que os atletas aprendem os valores inerentes ao esporte e a vida como: respeito, disciplina, comprometimento, companheirismo e outros que fazem que o nosso esporte seja reconhecido na formação do cidadão e do atleta.

Durante vários anos temos visto uma grande incoerência e desordem com relação à uniformidade de regras visando o objetivo principal da categoria que é a iniciação a vida esportiva do Atleta sem pressão e demandas excessivas.

Em 2011 a FIBA Américas lançou um estudo/documento (anexo) visando à padronização enorme na faixa etária de introdução do jogo às crianças, uma das recomendações e que a partir dos 12 anos as crianças devem jogar com aro em altura máxima e com bola n° 5.

Essa mudança foi adotada em federações e confederações, em outros países, sendo motivo de crítica pelos técnicos e especialistas na área. Sua aplicação foi prejudicial aos objetivos da categoria, no que diz respeito ao desenvolvimento do gesto técnico e fundamentos do jogo como também na motivação em alcançar o objetivo principal do jogo, a cesta. Outro motivo é o cerceamento a participação na categoria de atletas mais novos de 10 e 11 anos, pois estes teriam uma dificuldade maior em participar do jogo com o aro na altura máxima. Impedindo assim a formação de equipes de idades mescladas (fato que ocorre em algumas das nossas equipes).

Com estes problemas apresentados a Confederação Argentina (consulta ao Prof. Ricardo Bojanich) voltou atrás na determinação da FIBA e a competição de 2016 terá a altura de 2,65 para crianças até 12 anos. Os atletas com uma estatura acima da média poderão jogar na categoria de 13 anos onde a altura do aro é de 3,05.

Vemos que a decisão da FPB em mudar a altura do aro de 2,75 para 3,05 nesta idade esta embasado neste documento da FIBA Américas e na argumentação dos técnicos da categoria relatando a facilidade de alguns atletas com a estatura acima da média.

Neste sentido descrevemos alguns pontos a serem relevados para manutenção da regra da altura do aro em 2,75 para o campeonato de 2016:

1 – Problemas no processo de ensino do gesto técnico do arremesso. Erros da aprendizagem do gesto técnico do arremesso em função da falta de força na execução no aro da altura máxima.

2 – Cerceamento e dificuldade aos atletas com média de altura inferior de participar com efetividade e motivação na competição.

3 – Cerceamento e dificuldade aos atletas mais novos (10 e 11anos) de participar com efetividade e motivação na competição. Impossibilitando a participação de um número maior de atletas e equipes

4 – Incoerência em seguir as normas da FIBA para a altura do aro e não respeitar as outras regras como:

– Impossibilidade de utilização de defesa por ZONA (permitido somente a defesa individual);

– Lance livre na distância de 4 metros;

– Não existência de cesta de 3 (três) pontos; (Proporcionando que toda cesta de campo tenha o valor de 2 pontos);

– Não existência do Bônus (lance livre extra quando na falta no ato do arremesso);

– Rodízio de jogadores durante os quartos;

– Não existência de prorrogação quando no empate no tempo normal;

– Não existência da regra de 24 segundos e de posse de bola;

Os motivos acima nos levam a crer que a razão da mudança está relacionada, somente com o resultado esportivo em curto prazo. Pois as outras determinações das regras de Mini basquete da FIBA, não são considerados pela Federação e as equipes participantes.

A intenção de elevar a altura do aro restringe o desenvolvimento técnico da maioria dos atletas nesta idade, privilegiando a poucos atletas com altura acima da média, sendo que estes atletas têm a possibilidade de jogar na categoria de 13 anos com altura do aro a 3,05. 

Pensando no desenvolvimento técnico, motivação e futuro do basquete no estado e país, acreditamos que a mudança é prejudicial à evolução e formação de atletas nesta faixa etária.” 

Acho que não preciso nem dizer que concordo 100% com a carta. Caro leitor, o que achou dessas sugestões? Fazem sentido, são exageradas? Deixem suas opiniões abaixo para fomentar a discussão.

É isso, pessoal, um abraço e até a próxima!

3 comentários Adicione o seu

  1. Gilmar da Silva disse:

    Boa tarde, concordo com quase tudo, apenas não concordo com a tirada dos 24, podíamos aumentar o tempo de ataque, pois já tive a experiência de jogar com equipes que ficava com a bola mais de um minuto ou não ia para o ataque pois não podia roubar a bola na defesa e a bola de 3 poderíamos diminuir a distância, mais não excluir.

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    1. BBallBase disse:

      Fala, Gilmar!
      também não sou muito fã da retirada dos 24s…talvez como sugestão para equipes Sub-10/11, mas nível federação já poderia ser 24s normalmente.
      a diminuição da linha de 3 eu acho problemático, porque envolveria mexer na quadra e as vezes o time não tem essa liberdade….fica confuso e é mais um custo para as equipes.
      Valeu pelo comentário!

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