O meu Campeonato Paulista ideal

Fala, pessoal!

Desde a época que eu jogava (e não vamos entrar nos detalhes de quando foi isso), e até antes pelo que me falam, o modelo dos campeonatos paulista de base muda muito pouco. Eu tenho muitas críticas sobre a forma que estruturamos os times formativos e nos resultados dos trabalhos de massificação da federação paulista. É muito comum receber o feedback que seria muito legal se tivéssemos um modelo como nos EUA, onde se jogam em escolas e faculdades. Gosto muito dessa forma de ligar o esporte com ensino, mas acho difícil conseguirmos reproduzir da mesma forma. Porém gostaria de fazer um exercício e propor um formato que imagino ser uma boa combinação de educação + basquete + massificação.

Geralmente quando pensamos num time, imediatamente pensamos num clube, e aí que começam minhas críticas porque dificultam muito o acesso ao esporte. Gosto bastante das iniciativas das associações e, por mim, se um técnico tiver 12 crianças com vontade de participar de um time, coletes com números e uma quadra para treinar e jogar, com um mínimo de investimento deveria ser possível participar do campeonato paulista da federação. Preferiria que a fonte de arrecadação fosse por uma grande quantidade de times (que teria gastos diluídos) invés de poucos times com taxas e mais taxas de manutenção e fiscalização.

Participantes da Liga Pró Sub-15 de 2018

Veja só, caro leitor, da minha época de pseudo-atleta, eu posso listar facilmente alguns times que não estão disputando o campeonato metropolitano: Hebraica, Banespa, Monte Líbano, Meninos, Tietê, Saldanha, São Marcos, Paineiras, Sírio, Ypiranga, Ypê, Volkswagen (se forçar, encontro mais alguns)… Mas olha que interessante, alguns desses estão em atividade, mas em outras ligas como a Liga Pró Basquete. Ou seja, esses times têm interesse no basquete, mas muito provavelmente, não viam viabilidade em permanecer na federação por questões financeiras. Times, por favor, se estiver supondo erroneamente, só avisar que o espaço é livre.

Então o primeiro ponto seria esse, descomplicar o acesso a disputa dos campeonatos e realizar a arrecadação de recursos com o aumento dos times. Inclusive seria uma visibilidade grande para marcas e um pitch muito bom para busca de patrocínio (público maior).

Mas o que realmente gostaria de ver era uma união com a Liga de Basquete Escolar. Veja só a lista de participantes na edição de 2019:

31 escolas! Se considerarmos uns 18 times na federação somados com as escolas, seriam 49 times, aproximadamente 588 atletas (e poderiam ser 61 times com 732 atletas se considerássemos aqueles que saíram da FPB). MAAAAS, eu acho pouco provável uma união das ligas, porém acredito que seria muito interessante uma parceria. Até mesmo deixar os dois campeonatos como estão e criar um “inter-ligas” com os melhores classificados de ambos lados. Vejamos um exemplo.

Os dois campeonatos ocorreriam paralelamente e no final da fase de classificação, teríamos os 8 primeiros de cada liga. Em seguida ocorreria um cruzamento do 1o colocado de uma liga contra o 8o colocado da outra, 2o com 7o, 3o com 6o e 4o com 5o. Seria um playoff como conhecemos, melhor de 3 ou 5, até sair o campeão.

Agora você deve estar pensando, caro leitor:

Os times escolares iriam perder todos os jogos!

Bom, talvez no início principalmente, mas o objetivo final não seria esse. Na minha opinião, uma escola particular teria muito interesse em ter uma equipe competitiva. É um chamariz interessante e uma grande forma de integrar familiares nas rotinas dos alunos/atletas. Imagina colocar os jogos no final do dia para coincidir com o horários dos pais buscarem os filhos e podendo contar com a audiência de muitos alunos, professores e funcionários das escola.

Para ter uma equipe mais competitiva, uma bolsa de estudos poderia ser usada como moeda de troca. Pensa na seguinte situação: um atleta Sub-14 do Palmeiras, que sabe jogar, tem bons fundamentos e experiência de grandes jogos, mas que não está entre os “principais” da equipe, ou tem menos tempo de quadra que gostaria. Vem um colégio como o Arquidiocesano e oferece uma bolsa para esse garoto ser o cara do time (o cara da escola!) e ainda receber uma educação de altíssimo nível. Olha, com o passar do tempo, vejo que as escolas ficariam bastante competitivas e seriam cogitadas se tivessem essa interação com a federação.

E o foco aqui é, claro, as escolas particulares. Envolver prefeitura só iria complicar o processo, e a ideia é dar acesso aos atletas a um ensino que seja diferencial em suas vidas mesmo, uma ascensão. Acho difícil termos um modelo de basquete universitário como nos EUA, mas no nível escolar, acredito que é totalmente possível e seria um baita produto.

O que acha, caro leitor, viajei muito ou faz sentido? Deixem suas ideias e críticas para melhorarmos o basquete de base e massificar sua prática.

É isso, pessoal, um abraço e até a próxima!

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