Conheça Kilian Vieira, ala/armador do Lloret/Espanha e formado no Internacional de Santos

Fala, pessoal!

Em 2017, após divulgada a lista da seleção brasileira Sub-14, alguns nomes eram desconhecidos para mim, e entre eles tinha um que figurava entre os maiores pontuadores do campeonato paulista. Pois bem, não consegui acompanhar jogos de seu time (Internacional) naquele ano, mas no ano seguinte não perdi a oportunidade de vê-lo em ação contra o Palmeiras pela primeira vez (matéria para o Área Restritiva – clique aqui). Vi um atleta rápido, agressivo e com muito talento, então gostaria que conhecessem também um pouco mais de Kilian Vieira, o ala/armador hispano-brasileiro formado na baixada Santista, e que segue seu desenvolvimento na Europa.

– Informações do Atleta

Nome: Kilian Vieira
Posições: Ala/armador, ala e ala/pivô
Altura: 1,91m
Time atual: Basquet Lloret
Conquistas:

  • 1x campeão do torneio de Franca
  • 1x campeão da série prata pela federação paulista
  • Melhor ala do torneio de Franca
  • Jogador revelação da Copa TV Tribuna

– Onde começou a jogar e porque escolheu o basquete?

Comecei a jogar basquete com 6 anos, no complexo esportivo Rebouças em Santos. Fiquei la até chegar no Internacional com 10 anos. O que me incentivou a começar com o basquete foi o meu irmão mais velho, que jogava basquete também e ele sempre foi uma referência pra mim.

– Quais seus pontos fortes?

Meus pontos fortes com certeza são a minha explosão, bola de 3 e rebotes. No contra-ataque eu sou bastante forte também e nos momentos finais de jogo disputado me considero “clutch”. Eu me sinto muito mais confiante pra fazer pontos nos minutos finais e meu desempenho no jogo aumenta consideravelmente nessas horas. Tanto no ataque como na defesa, não tenho medo de errar e quem costuma decidir nesses momentos sou eu.

– O que precisa melhorar em seu jogo?

Preciso melhorar meu lance-livre. Ironicamente não tenho problema em acertar bola de 3, mas em lance-livre não posso dizer o mesmo. Controlar mais as minhas faltas no jogo e falar/gritar mais em quadra. Geralmente eu faço meu jogo silencioso e não costumo a ficar gritando todo momento, e eu acho sensacional quem grita e fala igual um louco em quadra.

– Como é sua rotina de treinos?

Bom, antes do coronavírus, segunda-feira eu treinava a noite pela minha categoria, terça-feira treinava com o sênior (adulto), a última categoria do meu time a noite. Quarta-feira pela minha categoria à noite, quinta-feira treinava com o sênior a noite e sexta-feira treinava com minha categoria de tarde e de noite pelo sênior.

Atualmente eu não posso treinar com o sênior ainda, aqui está restrita as coisas, só posso ficar em uma categoria por enquanto, então no momento tenho treino físico segunda, terça e sexta de manhã e treino em quadra terça, quarta e sexta pela tarde.

– O que o fez tomar a decisão de ir jogar fora do Brasil?

Eu nasci aqui na Espanha e por isso eu tenho nacionalidade espanhola e no ano retrasado, o time que eu jogava (Internacional) não haveria mais categorias acima para continuar disputando a federação. Recebi uma proposta de um time de São Paulo, mas também recebi uma proposta de um time profissional da Bélgica, Mons Hainaut, e como sempre quis jogar fora, eu escolhi o time da Bélgica e fui morar lá. Meses depois recebi uma proposta do time que estou agora na Espanha, Basquet Lloret, e decidi vir jogar aqui e faz quase um ano que estou com o time, morando aqui sem problemas.

– Como é a estrutura do Basquet Lloret?

É um time que tem muitas categorias, desde para quem tem 9 anos de idade até o adulto. Têm muitas quadras e são treinados vários times de uma vez, e também não é só um clube de basquete, tem outros esportes também. É um time que foi criado recentemente que reuniu jogadores de fora pra participar da liga FCBQ e que esta se desenvolvendo super bem e crescendo cada vez mais, com intenções de jogar a liga Endesa (ACB).

– Como foi sua transferência para o basquete espanhol?

Foi uma questão de adaptação no primeiro mês, não conseguia impor 100% do meu jogo, mas em pouco tempo, já estava jogando 100% do que eu jogo, e muitas vezes sendo destaque dos jogos da minha categoria e do sênior também. Não foi muito difícil minha transferência.

– Sentiu muita diferença nos estilos de jogo?

Bom, não é igual ao basquete do Brasil mas também não é uma coisa absurda de diferente. Aqui com certeza o estilo de jogo é muito mais tático e coletivo,enquanto no Brasil você poderia tentar jogadas individuais. Aqui eles não gostam de dribles e coisas desse tipo, tanto que se você fizer uma jogada individual, mesmo se você acertar, você toma um puxão de orelha do técnico. Essa pra mim foi a principal diferença porque eu fazia muitas jogadas individuais no Brasil e aqui tive que dar uma amenizada, porém não caiu meu desempenho no jogo.

– O que mais te chamou atenção durante nos jogos na Europa?

O trabalho em equipe e o trabalho de bola em todo ataque. A bola nunca para em um jogador, fazendo a defesa correr muito sempre, e isso fez com que minha defesa melhorasse bastante comparado a defesa que eu tinha no Brasil. Isso foi o que mais me chamou atenção.

– Quais jogadores mais te impressionaram até o momento?

Os jogadores que mais me impressionaram foram os jogadores que tem como ponto forte a defesa.

– Quais os torneios/campeonatos que disputa durante o ano?

Ano passado eu disputei um torneio chamado Globasket e aconteceu aqui no clube que eu jogo em Lloret, que reuniu vários times de países diferentes. Teve time do México, Argentina, República Checa e Espanha claro. Não acontecerá esse ano de novo devido ao coronavírus.

Fora esse torneio disputo a liga FCBQ pela minha categoria e pelo sênior, que ainda não começou a nova temporada.

– Você foi convocado para seleção Sub-14 porém não foi mais chamado nos anos seguintes. O que acredita que pode ter acontecido?

No ano seguinte da minha convocatória, no caso no ano do Sub-15, eu sofri uma lesão no mês de agosto, rompi dois ligamentos no tornozelo esquerdo durante um jogo contra Londrina. Fiquei 4 meses sem jogar basquete, e então, no mês da convocatória eu estava lesionado ainda, não podendo ir de jeito nenhum. No ano do sub-16, não sei realmente especificar porque não fui chamado.

Você aceitaria representar a Espanha?

Sim, com certeza. Se eu tiver oportunidade algum dia, eu iria sem dúvidas.

– Qual foi sua melhor partida de todos os tempos?

Essa é bem difícil de responder, então vou comentar a melhor que aconteceu recentemente, nesse ano ainda, pouco antes do coronavírus ficar tão famoso. Foi uma partida que joguei pelo Sênior ( adulto) fora de casa, onde estávamos perdendo a partida o jogo inteiro, mas por poucos pontos. No último quarto, começamos a vibrar mais e defender melhor, atacando com mais inteligência e nos minutos finais, eu consegui meter duas bolas de 3 consecutivas pra virar o jogo e vencer a partida por 2 pontos, e ainda fui notificado que fui o cestinha da partida com 19 pontos. Foi uma partida bastante intensa!

– Quem são suas referências dentro e fora das quadras?

Minha referência fora de quadra é, sem dúvidas o meu irmão, que sempre me ajudou com o basquete. Posso dizer que foi ele que me fez jogar assim como eu jogo. E uma referência dentro de quadra é o Paul George, eu gosto muito do estilo de jogo dele e sempre o acompanhei e tento me assimilar com o estilo de jogo dele também.

– Onde quer chegar com o basquete?

Quero jogar em um time da liga Endesa (ACB) e jogar profissionalmente lá por anos.

– Como foi jogar no Internacional?

Foi ali que meu basquete foi criado, ali que aprendi tudo que sei hoje, é um time formação de atletas. Tive técnicos excelentes e que me ensinaram bastante e acreditavam no meu potencial no basquete, foi uma experiência incrível de vários anos de aprendizagem.

– Mensagem para treinadores e colegas de times do Inter

Só queria agradecer por todos os anos que passaram comigo, tanto os colegas de time quanto os técnicos. Aprendi bastante e me diverti muito também. Agradecer também pelas experiências incríveis, viagens para torneios e campeonatos sensacionais. Espero ver todos algum dia novamente!

Valeu pela entrevista incrível, Kilian! E deixo aqui uma mensagem que passo para muitos atletas que vão jogar fora: Estou na torcida para que NUNCA mais volte para o Brasil, a não ser para representar a nossa seleção ou porque quis voltar. Sucesso na sua jornada!

É isso, pessoal, um abraço e até a próxima!

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