“Lavada” na BASE | O que o placar 144 x 22 ensina?

Fala, pessoal!

Eu sempre gosto de explicar as motivações dos meus textos, mas vou ficar devendo dessa vez, caro leitor. Esse inclusive vai ser um texto muito mais reflexivo do que qualquer outra coisa.

Independente do porquê, eu estava pensando naqueles jogos das base que um time atropela o outro, sabe? Como esse placar absurdo no título da matéria. O que? Você achou que inventei esse resultado. Veja abaixo:

Essa partida em destaque ocorreu em 1999, na categoria Sub-12 pelo campeonato paulista metropolitano. Tem mais alguns outros placares desse tipo:

Eu nem precisaria voltar tanto no tempo para ver placares desse tipo, mas mostrar que as coisas continuam a mesma após 21 anos vai de encontro a minha reflexão e a pergunta do texto.

O que placar 144 x 22 ensina?

Tem uma frase que sempre ouvia – e ouço até hoje – que a melhor forma de mostrar respeito ao adversário é jogando o seu máximo. Eu, sinceramente, sempre achei um tanto quanto estranha essa frase e hoje penso que ela não faz bem a ninguém. E não estou com dó do time que perde dessa maneira, estou também olhando para a equipe vencedora. Acompanhe, caro leitor.

O que um atleta do time vencedor ganha com uma vitória dessas? Os atletas evoluíram de alguma maneira? Eu vejo toda partida como um tijolinho a mais na construção do degrau de formação de um atleta, e um jogo desse não agregou nem um grão de areia – para ambos os times. Do outro lado, é muito provável que muitos atletas simplesmente desistiram do basquete. Com 12 anos e ainda no início de sua formação psicológica, – não é nem maturação, é formação mesmo – um resultado desse é enorme. Para os dois times, eu vejo que essa 1h30 de uma manhã de domingo serviu para praticamente nada, onde todos saíram da mesma forma que entraram.

Na matéria que fiz sobre a base italiana (leia aqui), eles possuem níveis diferentes dentro de uma categoria. Não faria mais sentido separar minimamente esses times? Se hoje temos duas chaves com 10 equipes, não poderíamos dividir em dois níveis, com cada nível tendo 10 equipes em chave única? Acredito que seja muito mais proveitoso colocar um atleta em constante nível de desconforto e competitividade para promover seu desenvolvimento. Sei que pode parecer que estou querendo punir um ótimo trabalho, mas de forma alguma é isso. Só gostaria de colocar esse ótimo trabalho perante desafios cada vez maiores e de acordo com seu nível.

Fazendo uma breve comparação com cultura pop, nós gostamos de filmes de heróis que têm vilões à altura de seus protagonistas. Batman: The Dark Knight não teria sido um sucesso sem o Coringa de Heath Ledger, ou Vingadores sem Thanos, Light Yagami sem L e por aí vai.

Mas tem um outro lado também. Tem casos que não é que um time esteja querendo massacrar o adversário, mas precisa fazer isso na busca pelo melhor saldo possível porque esse é um dos critérios de desempate. Isso acontece também nos campeonatos da CBC nas categorias mais altas.

Talvez olhar o saldo apenas entre os times do topo da tabela fosse um caminho, dessa forma um time poderia até mesmo evitar jogar com seu melhor elenco, deixar o banco ter mais tempo de quadra e liberar seus melhores atletas para categorias de cima (a FPB poderia mexer nesse regulamento hein), de modo a buscar mais desafios coerentes com seus talentos.

Caro leitor, esse foi um texto mais reflexivo e base brasileira tem muuuitas outras prioridades, mas achei que valia a discussão. Deixem seus comentários sobre o que acham desses placares.

É isso, pessoal, um abraço e até a próxima!

2 comentários Adicione o seu

  1. Marcos Silva disse:

    Ótima questão.
    Acredito que possa muito mais pelo bom senso do treinador, do que qq outra coisa.

    Até pq o ideal seria que tivéssemos 2, 3, e pq não 4 divisões! Aí seriam confrontos mais equilibrados.
    Mas se for separar, teremos hoje (sem medo de errar) 5 equipes jogando

    Se vc pegar o campeonato sub-19 no final dos anos 90 e começo dos 00, tínhamos mais de 20 equipes jogando. Nos últimos anos vc tem 10 e sabendo já quem são os 2 finalistas.

    Voltando ao sub-12. Como disse passa pelo bom senso do treinador. Pra que pressionar ou marcar colado lá na saída de bola? O treinador pode pedir pra “recuar” um pouco. Sobre colocar o time reserva fica complicado uma vez que há nessas categorias a obrigatoriedade da troca. Então tanto a equipe muito forte qto a mais fraca, terão que executar as trocas

    Já estive dos dois lados. De quem já tomou 100 e de quem aplicou 100.
    Como conheço as sensações, e qdo sabia da superioridade do meu time, não pressionei, “recuei” a equipe, mas mesmo assim, com a minha equipe jogando “de boa”, acabou o placar sendo elástico pela fragilidade do adversário.

    Mas tbem entra o trabalho do treinador em preparar suas equipes. Já vi gerações que tomaram sapecara no sub12, mas trabalhou e tomou menos no 13, já começou a mostrar sinais de igualdade no 14 (aí cabe uma ressalva, nessa categoria já não há obrigatoriedade de troca o jogo todo, no 3o e 4o período vc troca a vontade), e aí no Sub15 qdo não tem mais isso, igualamos mesmo o jogo e muitas vezes vencemos. Então há de se ter paciência, e trabalhar com os garotos!

    Espero que tenha sido claro nas opiniões! Vc traz assuntos bacanas, difícil resumir num post!

    Curtido por 1 pessoa

    1. BBallBase disse:

      É esse tipo de comentário que gosto, fique a vontade para escrever o quanto quiser! Inclusive se quiser expor algum pensamento, o site está aberto.
      Concordo contigo, passa muito pela forma que o técnico vai trabalhar a vitória/derrota com sua equipe

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