Que momento…

Fala, pessoal!

Minha manhã estava tranquila. Tinha participado de algumas reuniões, sem grandes problemas e, entre uma atividade e outra, fui navegar nas redes sociais e eis que me deparo com uma nota da federação paulista sobre a derrota da seleção brasileira feminina Sub-19.

Caso tenha interesse em ler, segue link (https://www.fpb.com.br/que-momento/), mas pode ficar por aqui também porque irei comentar cada parágrafo dessa obra. Caro leitor, se prepare que o Inacreditável Basquetebol Clube vai começar!

Vivemos um momento cada vez mais delicado no basquete brasileiro que nos causa preocupação.

Mal começamos e já estou p&^$#aço!!! Como assim “esse momento” vos causam preocupação? Antes estava uma maravilha? Por baixo, temos quase 30 anos de sucateamento constante do basquete brasileiro (e a federação paulista não está diferente). Mas vamos diante que não quero queimar o cartucho já no primeiro parágrafo.

Depois de não se classificar para os Jogos Olímpicos do Japão no Masculino, Feminino e no Basquete 3×3, agora é a base do basquete nacional que nos chama atenção.

AGORA QUE A BASE CHAMA ATENÇÃO??? Se eu pegar a lista de clubes participantes do campeonato paulista Sub-12 de 20 anos atrás, existem (por baixo) uns 10 times que não jogam mais pela federação. Além disso, cada vez mais cedo as categorias iniciam as disputas dos estaduais. Antes o Sub-19 tinha metropolitano e interior, e não me surpreenderia em nada se daqui a pouco o Sub-15 se tornar estadual. Mas AGORA que a base merece atenção.

Julga-se o basquete de base nacional como se o paulista fosse um exemplo a ser seguido de gestão e execução. As equipes, e apenas elas, são responsáveis por qualquer resultado positivo que o estado tenha, com o trabalho duro dos técnicos e atletas diariamente, se reinventando, procurando melhorar e com um retorno baixíssimo dado o alto investimento para se manter uma equipe.

O Brasil foi superado pela Espanha, neste domingo, pela segunda rodada da Copa do Mundo sub-19 feminina, pelo placar de 83 a 22. Sim, uma diferença de 61 pontos de vantagem para o nosso oponente.

A federação paulista sabe fazer contas. Nenhum comentário adicional aqui.

É público e notório que o distanciamento dos gestores do nosso basquete prejudica e reflete nos resultados. Como está sendo trabalhada a base do basquete nacional? Qual o processo de formação? Qual o planejamento prévio das competições? Quais os critérios de convocação das seleções? São perguntas que ficam no ar, ainda sem respostas.

Esse trecho é INACREDITÁVEL! O simples fato de terem feito essa nota mostra o quão distantes os gestores do basquete estão da modalidade. Eu sinto dificuldade de até me expressar com coerência. Questionar como está sendo trabalhada a base nacional chega a ser corajoso. Podemos fazer as mesmas perguntas de volta e ainda acrescento mais algumas: O que a federação paulista vem fazendo para popularizar a modalidade? O que vem fazendo para aumentar o número de times? Como ela pretende tornar seu produto mais interessante para que as empresas tenham vontade de patrocinar os times formadores?

Sobre os critérios de convocação, a federação paulista é, sem dúvidas, a que mais se privilegia. A seleção masculina Sub-16 é inteira de São Paulo e a feminina Sub-19 conta com 10 representantes! Mas é curioso esse questionamento só agora, visto que isso SEMPRE aconteceu. E por que, de repente, decidiram tomar as dores dos outros estados?

Pelo que vemos e sentimos, a CBB faz um trabalho unilateral, se distanciando das federações e as isolando, por puro capricho político de alguns dirigentes.

Olha, parabéns pela coragem de usar o trecho “puro capricho político de alguns dirigentes”. Eu fico constrangido de ler um negócio desses.

Teremos apenas três anos à frente para o próximo ciclo olímpico. O impacto é geral, atinge todas categorias do basquete, da base ao adulto, e joga um balde de água fria nas federações que, no seu dia a dia, desenvolvem e fomentam o basquete por todo o país.

Então deixe-me ver se entendi bem. Antes da pandemia, os campeonatos paulista de base feminino não tinham nem o mesmo número de categorias do masculino (duas a menos) e, em algumas delas, tinham 4-5 times. Sim, 4-5 times disputando um campeonato (matéria sobre basquete feminino – aqui), mas o balde de água fria veio só agora?

E essa quantidade incrível de equipes disputando o paulista feminino faz parte do trabalho da federação paulista que, segundo trecho acima, “desenvolve e fomenta o basquete”?

Perde o Brasil, perde o basquete, perdemos todos.

Taí. Gostei. É um novo slogan? Tem meu voto.

Ok, vamos desenvolver um pouco mais. Longe de mim querer defender a CBB porque, sim, os resultados internacionais de nossas seleções tem sua parcela; não temos uma integração real entre as federações para que podemos ter acesso ao que vem sendo feito pelo Brasil; o processo de convocação é muito questionável; existe muita politicagem; e falta também um projeto nacional visando uma estruturação da base no país. Certo, vamos apertar as mãos nesses pontos.

Mas vamos lá, usar o resultado da seleção para criticar o basquete nacional e não olhar para si mesmo é demais. Basta ver a seção de comentários para sentir a indignação dessa nota.

O investimentos dos times está valendo a pena para as equipes? Porque muitos estão indo para outras ligas, como NCB e Pró. Não valeria a pena rever os processos e entender como melhorar invés de atacar? Ou, pelo menos, sugerir o que deveria ser feito. Como disseram, “perdemos todos” com essa atitude.

Eu, por exemplo, gostaria muito de saber o que acontece em Santa Catarina, porque a quantidade de times que disputam seus campeonatos é enorme. Será que esse modelo não poderia ser replicado em outros estados? O trabalho que a ApageBask fazer para integrar esporte com educação é incrível também (matéria aqui). Aqui poderia entrar a CBB para promover eventos (online mesmo) para divulgar cases de sucesso de federações, equipes e profissionais da área.

Agora, o que de construtivo vai sair para o basquete nacional a partir dessa nota? Dados os directs que recebi no instagram, a intenção que percebi desse texto foi a mesma de muitos (mas não cabe aqui).

E aí, caro leitor, o que achou dessa nota da federação? Fique a vontade para deixar seus comentários e bóra discutir esse tema.

É isso, pessoal. Um abraço e até a próxima!

3 comentários Adicione o seu

  1. João disse:

    Léo parabens pela matéria…a situação do basquete nacional é tenebrosa…principalmente porque no curto e longo prazo não vejo nossos governantes assumindo o importante e vital papel para implementar as mudanças necessárias principalmente na base da modalidade…por conseguinte tambem não estão surgindo atletas com real potencial para aproveitamento a nível internacional a ponto de fazer enfrentamento contra equipes melhor formadas…lamentável tudo isso…abraço.

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    1. BBallBase disse:

      Exatamente. Quando olhamos como é tratada nossa base, fica bem claro porque não estamos nas olimpíadas e porque as meninas do sub-19 ficaram em último no mundial. Não adianta criticar lá em cima, tem que olhar embaixo.
      Valeu pelo comentário!
      Abraço!

      Curtir

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